Descobri um Nódulo ou Pólipo na Bexiga: E Agora? Entenda os Próximos Passos

Eder Nisi Ilario

Receber o diagnóstico de nódulo na bexiga ou pólipo vesical após um exame de imagem pode causar muita apreensão. Esse diagnóstico se refere a crescimentos anormais na parede interna da bexiga . No entanto, é importante saber que nem todo nódulo é câncer , e mesmo quando se trata de um tumor, existem tratamentos eficazes e um caminho bem definido a seguir.

Neste artigo, explico de forma clara os próximos passos após esse diagnóstico , como é feita a investigação, quais os tipos de tumor de bexiga e como o tratamento é direcionado de acordo com a camada da bexiga que foi acometida .

1º Passo: RTU de Bexiga (Ressecção Transuretral da Bexiga)

O primeiro passo após o diagnóstico de um nódulo ou pólipo na bexiga é a realização da RTU de bexiga . Essa é uma cirurgia endoscópica minimamente invasiva , feita por via uretral (sem cortes), que tem como objetivo:

  • Remover o nódulo ou lesão identificada
  • Enviar o material para biópsia (anatomopatológico)

Esse exame é essencial para determinar se o tumor é benigno ou maligno, qual sua agressividade e até onde ele se estende na parede da bexiga. Além disso, classifica o tumor em baixo ou alto grau.

Exames de imagem também são fundamentais

Além da RTU, é necessário realizar exames de imagem para avaliar com mais precisão a extensão da doença . Os principais exames solicitados são:

  • Tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve
  • Ressonância magnética (RM) da pelve

Esses exames ajudam a:

  • Verificar a localização e profundidade do tumor
  • Avaliar o comprometimento das camadas da bexiga e estruturas e órgãos adjacentes
  • Detectar linfonodos suspeitos ou metástases (quando o tumor se espalha para outros órgãos)

Entendendo a estrutura da bexiga: 3 camadas

A parede da bexiga é formada por três camadas principais:

  1. Mucosa (camada interna)
  2. Submucosa
  3. Camada muscular (camada mais profunda)

A profundidade da invasão tumoral em relação a essas camadas é o principal fator que define o prognóstico e o tratamento adequado .

1.Tumor restrito à mucosa (pTa na biópsia):

  • Diagnóstico: Tumor superficial, não invasivo
  • Tratamento: RTU de bexiga pode ser curativo
  • Risco: Alta chance de recidiva (retorno do tumor) ao longo do tempo
  • Importante: Se na RTUb apresentar múltiplos tumores, pode ser necessário nova RTU bexiga em alguns pacientes. Se o tumor recorrer após o primeiro tratamento, pode ser indicado BCG intravesical mesmo em tumor restrito a mucosa (pTa).

O grau histológico (baixo ou alto grau), identificado na biópsia, também ajuda a direcionar o tratamento:

  • Tumores de baixo grau : costumam ser tratados apenas com RTU e acompanhamento com cistoscopia (exame feito com uma câmera fina que visualiza o interior da bexiga pela uretra) e exames de imagem .
  • Tumores de alto grau : mesmo restritos à mucosa, podem necessitar de tratamento intravesical com BCG , que reduz o risco de recorrência e progressão.

2.Tumor invade a submucosa (pT1 na biópsia):

  • Diagnóstico: Tumor não muscular invasivo, porém mais agressivo que pTa
  • Tratamento: RTU de bexiga seguida de tratamento intravesical com BCG (após remover todas as lesões)
  • Objetivo: Reduzir o risco de recidiva e/ou evolução para doença mais avançada e invasiva
  • Importante: É recomendada uma nova RTU de bexiga após algumas semanas para verificar se há tumor residual ou novas lesões dentro da bexiga.

➡️ No pT1, o uso de BCG intravesical é sempre indicado , independentemente do grau, devido ao maior risco de progressão.

💉 Como é feito o tratamento com BCG intravesical?

O BCG intravesical é uma forma de tratamento feita diretamente dentro da bexiga, sem necessidade de cirurgia ou internação. O objetivo é estimular o sistema imunológico local para evitar que o tumor volte ou se espalhe.

Veja como funciona:

1.Aplicação pela uretra :

O urologista introduz o BCG líquido na bexiga através de uma sonda fina pela uretra (o mesmo caminho usado para coletar urina).

2.Tempo de permanência :

O paciente precisa reter o líquido na bexiga por cerca de 2 horas , para que o medicamento tenha efeito.

3.Tratamento em etapas :

  • A fase inicial costuma ter 1 aplicação por semana durante 6 semanas .
  • Em alguns casos, é indicado um esquema de manutenção , com aplicações menos frequentes por vários meses.

4.Ambulatório e retorno para casa :

O paciente faz o procedimento em ambiente ambulatorial e volta para casa no mesmo dia, com orientações simples de cuidados e higiene.

5.Efeitos colaterais possíveis :

Pode haver ardência ao urinar , aumento da frequência urinária ou pequeno sangramento temporário. Na maioria das vezes, esses sintomas são leves e autolimitados.

3.Tumor invade a muscular (pT2 na biópsia):

Diagnóstico: Tumor invasivo, com potencial de se espalhar para outras partes do corpo

Tratamento padrão:

  • Quimioterapia neoadjuvante (antes da cirurgia)
  • Cistectomia radical (retirada completa da bexiga)
  • Reconstrução urinária , com duas opções principais:
    • Neobexiga : reconstrução com alça intestinal, permitindo urinar pela uretra
    • Derivação tipo Bricker : saída de urina para uma bolsa coletora pela parede abdominal

Por que a vigilância é essencial?

Mesmo tumores não invasivos (pTa e pT1) apresentam alto risco de recorrência . Por isso, o acompanhamento cuidadoso é fundamental para detectar novas lesões precocemente.

A vigilância inclui:

  • Cistoscopia periódica
  • Exames de imagem
  • Citologia urinária em alguns casos
  • Consultas regulares com o uro-oncologista

Resumo: passo a passo após diagnóstico de nódulo vesical

1.RTU de bexiga para retirada da lesão e envio para biópsia

2.Tomografia ou ressonância magnética para estadiamento e avaliação de metástases

3.Análise do anatomopatológico para definir:

  • Profundidade do tumor (mucosa, submucosa, muscular)
  • Grau histológico (baixo ou alto grau)

4.Tratamento individualizado :

  • RTU isolada
  • RTU + BCG
  • Quimioterapia + cistectomia com reconstrução

5.Acompanhamento rigoroso com cistoscopia e exames de imagem

FAQs sobre nódulos e pólipos na bexiga

Qual é o primeiro passo após o diagnóstico de um nódulo na bexiga?

O primeiro passo geralmente é a realização de uma Ressecção Transuretral da Bexiga (RTU) para remover o tecido anômalo e permitir uma análise mais detalhada.

Qual a diferença entre um tumor na mucosa e na camada muscular da bexiga?

Um tumor limitado à mucosa (pTa) é menos agressivo e geralmente tratado com RTU e vigilância. Já um tumor que invade a camada muscular (pT2) requer mais intervenção, incluindo cirurgia e quimioterapia.

Como é feita a vigilância para evitar a recidiva de pólipos na bexiga?

A vigilância envolve cistoscopias regulares e exames de imagem para monitorar a área tratada e detectar possíveis recorrências precocemente.

O que é terapia intravesical com BCG?

A terapia BCG é um tratamento intravesical que utiliza uma forma de bactéria viva atenuada para estimular o sistema imunológico, reduzindo a recorrência de tumores superficiais (pTa e pT1).

Tumores da bexiga sempre necessitam de cirurgia invasiva?

Nem sempre. O tratamento depende da invasão do tumor. Tumores superficiais podem ser tratados com RTU e vigilância, enquanto invasões mais profundas podem requerer cirurgia.

É possível evitar a formação de pólipos na bexiga?

Embora nem todos os casos possam ser prevenidos, manter uma dieta saudável, evitar fumar e realizar exames médicos regulares pode ajudar a reduzir o risco.

Conclusão: diagnóstico precoce e acompanhamento fazem toda a diferença

Descobrir um nódulo ou pólipo na bexiga pode assustar, mas com o acompanhamento correto e tratamento personalizado, os resultados costumam ser muito positivos.

Cada caso é único. Se você ou um familiar recebeu esse diagnóstico, procure avaliação com um urologista especializado em tumores urológicos. Um plano de cuidado bem estruturado faz toda a diferença.

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