Nódulo na suprarrenal: quando acompanhar e quando operar?
Dr. Eder Nisi Ilario
Dr. Eder Nisi Ilario
Urologista
Uro-Oncologia • Cirurgia Robótica
CRM 150.653 | RQE 66.503
Formado pela Faculdade de Medicina da USP, o Dr. Eder Nisi Ilario é doutor em Urologia, atuando em uro-oncologia e cirurgia robótica. Dedica-se ao diagnóstico e tratamento dos cânceres de próstata, rim, bexiga e tumores da suprarrenal, incluindo casos de alta complexidade. Sua prática é baseada em avaliação individualizada, planejamento cirúrgico criterioso e acompanhamento especializado. É coordenador do fellowship em Uro-Oncologia e Cirurgia Robótica do IDOR.
Dr. Eder Nisi Ilário | Urologia, Uro-Oncologia e Cirurgia Robótica | CRM-SP 150.653 RQE 66.503
Publicado em 9 de outubro de 2026. Conteúdo educativo. Não substitui avaliação médica individual.
Neste vídeo
Um nódulo na suprarrenal pode representar situações muito diferentes. Neste vídeo, três casos mostram como combinamos a avaliação hormonal com as características da imagem para decidir, na prática, quem pode ser acompanhado e quem precisa de cirurgia.
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Hoje é muito comum encontrar por acaso um nódulo na suprarrenal, também chamada de adrenal, em uma tomografia ou ressonância realizada por outro motivo. Na maioria das vezes, esse achado é benigno e não precisa de cirurgia.
A decisão depende principalmente de dois pontos. Saber se o nódulo produz hormônios em excesso e avaliar se a imagem apresenta características suspeitas de malignidade. Com base nesses aspectos, os pacientes costumam se dividir em três cenários principais.
O primeiro é o adenoma não funcionante, uma lesão com características benignas na imagem e sem produção hormonal relevante. Em geral, não precisa ser operado.
O segundo é o adenoma funcionante. A imagem pode ter aspecto benigno, mas existe produção hormonal excessiva, que pode causar manifestações clínicas. Nesses casos, a cirurgia pode estar indicada.
O terceiro cenário é a lesão com suspeita de malignidade. As características da imagem aumentam a preocupação com câncer e podem indicar tratamento cirúrgico.
Para exemplificar essas situações, vou apresentar três pacientes avaliados recentemente e mostrar como fazemos a investigação e decidimos, na prática, quando acompanhar e quando operar um nódulo na adrenal.
A primeira paciente era uma mulher de 43 anos que realizou uma tomografia por outro motivo e encontrou, por acaso, um pequeno nódulo de 1,5 cm na suprarrenal esquerda.
Ela não apresentava sintomas, hipertensão ou outras comorbidades sugestivas de produção hormonal excessiva.
A tomografia sem contraste mostrou uma lesão homogênea, com densidade abaixo de 10 unidades Hounsfield. Esse é um padrão muito característico de adenoma adrenal benigno, rico em gordura.
Investigamos a possibilidade de produção autônoma de cortisol com o teste de supressão com dexametasona. Como a paciente não apresentava hipertensão nem outros achados sugestivos de hiperaldosteronismo, não foi necessário investigar essa condição. As características típicas de adenoma na tomografia também dispensaram a dosagem de metanefrinas de rotina nesse caso.
A avaliação hormonal foi normal. Portanto, tínhamos um adenoma benigno e não funcionante, sem indicação de cirurgia.
A segunda paciente era uma mulher de 37 anos que apresentava hipertensão mesmo utilizando dois medicamentos. Além disso, havia outro achado importante no exame de sangue, o potássio estava baixo.
Essa combinação deve levantar a possibilidade de hiperaldosteronismo primário. A investigação mostrou aldosterona elevada em relação à renina, confirmando produção hormonal excessiva.
A tomografia identificou um nódulo de 1,7 cm na suprarrenal esquerda, enquanto a glândula do lado direito estava normal. Após a investigação e a confirmação de que a suprarrenal esquerda era responsável pela produção excessiva de aldosterona, indicamos uma adrenalectomia esquerda robótica.
Depois da cirurgia, o potássio normalizou em poucos dias e a pressão arterial voltou ao normal em menos de um mês, sem necessidade de medicamentos naquele momento.
Nesse caso, a imagem não sugeria câncer. Era uma lesão com aspecto benigno, mas funcionante. A cirurgia foi indicada pela produção hormonal excessiva e pelas suas manifestações clínicas.
O terceiro paciente procurou avaliação por dor do lado esquerdo do abdômen. A tomografia mostrou uma massa de aproximadamente 9 cm na suprarrenal esquerda.
Diferentemente do primeiro caso, essa lesão não apresentava características típicas de adenoma. Era uma massa grande, heterogênea e com achados radiológicos que aumentavam a suspeita de malignidade. Nessas situações, além do tamanho, avaliamos densidade, homogeneidade, presença de necrose e sinais de invasão local.
Antes da cirurgia, completamos a avaliação hormonal e o estadiamento, incluindo a exclusão de feocromocitoma. Diante da forte suspeita de carcinoma adrenocortical, o paciente foi submetido a uma cirurgia com objetivo oncológico e retirada completa da lesão.
O exame anatomopatológico confirmou o carcinoma adrenocortical. Pelas características de risco identificadas após a cirurgia, foi indicado tratamento adjuvante com mitotano, em acompanhamento conjunto com oncologia e endocrinologia.
Esses três casos mostram como o mesmo achado inicial, um nódulo na suprarrenal, pode representar situações completamente diferentes.
Diante de um nódulo adrenal, o mais importante é definir se existe produção hormonal excessiva e se a imagem sugere benignidade ou malignidade. É essa combinação que permite acompanhar com segurança quem não precisa operar e identificar quem realmente necessita de tratamento cirúrgico.
A decisão de operar a suprarrenal não depende apenas do tamanho do nódulo, mas principalmente do comportamento hormonal e do risco de malignidade.





