Como escolher um urologista especialista em câncer de próstata?
Dr. Eder Nisi Ilario
Dr. Eder Nisi Ilario
Urologista
Uro-Oncologia • Cirurgia Robótica
CRM 150.653 | RQE 66.503
Formado pela Faculdade de Medicina da USP, o Dr. Eder Nisi Ilario é doutor em Urologia, atuando em uro-oncologia e cirurgia robótica. Dedica-se ao diagnóstico e tratamento dos cânceres de próstata, rim, bexiga e tumores da suprarrenal, incluindo casos de alta complexidade. Sua prática é baseada em avaliação individualizada, planejamento cirúrgico criterioso e acompanhamento especializado. É coordenador do fellowship em Uro-Oncologia e Cirurgia Robótica do IDOR.
| A escolha do médico responsável pelo tratamento do câncer de próstata deve considerar toda a sua trajetória profissional. Entenda por que a formação em centros de referência, o treinamento cirúrgico supervisionado e a experiência com casos complexos podem fazer diferença nos resultados. |
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Introdução
Receber o diagnóstico de câncer de próstata costuma trazer decisões importantes. Além de compreender a gravidade da doença e as opções de tratamento, surge uma questão fundamental: como escolher o urologista que conduzirá esse processo?
Você deve conferir o CRM e o registro de especialista (RQE) em Urologia e avaliar a formação complementar em uro-oncologia, a experiência com casos semelhantes ao seu, a clareza com que as alternativas são explicadas, inclusive a de não operar, e como será o acompanhamento após o tratamento.
A Urologia é uma especialidade ampla, que envolve diferentes doenças e procedimentos. Entretanto, o tratamento de tumores complexos, especialmente quando existe indicação cirúrgica, exige conhecimentos específicos, treinamento estruturado e experiência adquirida ao longo de anos.
Principais informações
- O RQE comprova a especialidade em Urologia, mas não mostra a experiência com câncer de próstata
- Uro-oncologia não é uma especialidade separada: a dedicação aos tumores se avalia pela trajetória completa do cirurgião, formação complementar e pela prática clínica
- Maior volume cirúrgico está associado, em geral a melhores resultados, mas não garante o resultado individual
- Um bom especialista apresenta todas as alternativas, inclusive a de não operar
- Radio-oncologista e oncologista clínico também podem participar do tratamento ao longo da evolução do paciente
- O acompanhamento após o tratamento, com PSA e reabilitação funcional, faz parte da escolha do seu cirurgião
Urologista ou uro-oncologista: qual é a diferença?
O urologista é o médico especializado no diagnóstico e tratamento das doenças do aparelho urinário e do sistema reprodutor masculino. Sua formação abrange diversas condições clínicas e cirúrgicas, incluindo cálculos urinários, doenças benignas da próstata e tumores urológicos.
Uro-oncologista é o termo usado para o urologista que dedica sua prática aos tumores urológicos, como os de próstata, rim, bexiga e suprarrenal. A uro-oncologia exige conhecimentos específicos sobre o comportamento dos tumores, interpretação dos exames, escolha dos tratamentos e realização de procedimentos cirúrgicos complexos.
Por isso, ser especialista em Urologia não significa necessariamente possuir treinamento aprofundado ou grande experiência no tratamento cirúrgico do câncer de próstata.
Uro-oncologia é uma especialidade?
Não como especialidade separada. Na relação oficial de especialidades e áreas de atuação homologada pelo Conselho Federal de Medicina, a especialidade é a Urologia, mas não existe a área de atuação em uro-oncologia.
Por isso, essa dedicação não aparece no RQE e precisa ser avaliada pela trajetória integral do médico, formação complementar e pela experiência do profissional.
O RQE é suficiente para avaliar a experiência em câncer de próstata?
O Registro de Qualificação de Especialista (RQE) comprova que o médico possui qualificação formal na especialidade registrada, conforme as regras do Conselho Federal de Medicina. Pelas normas de publicidade médica, só pode se apresentar como especialista o médico com RQE registrado.
É um critério importante e deve ser verificado com cuidado pelo paciente. Mas, o RQE em Urologia não informa, isoladamente, o grau de experiência do profissional com determinada doença ou procedimento.
Dois urologistas com a mesma qualificação formal podem apresentar trajetórias bastante diferentes em treinamento oncológico, frequência de cirurgias e experiência com tumores complexos.
Por isso, além de verificar o CRM e o RQE, disponíveis na consulta pública do Conselho Federal de Medicina, é importante conhecer a formação complementar e a atuação clínica do profissional.
Quem mais participa do tratamento do câncer de próstata?
O uro-oncologista costuma conduzir o diagnóstico, o estadiamento, a cirurgia, o acompanhamento e a reabilitação funcional da continência urinária e função sexual. Mas o tratamento pode envolver o radio-oncologista, quando a radioterapia é indicada, e o oncologista clínico, nos tratamentos sistêmicos e na doença avançada.
Nos casos de maior risco, a escolha entre cirurgia, radioterapia ou tratamentos combinados se beneficia dessa discussão multidisciplinar. Um bom urologista apresenta as alternativas e encaminha quando necessário.
Por que toda a trajetória de formação do cirurgião importa?
A formação de um cirurgião é construída progressivamente. A graduação em Medicina, a residência médica, o treinamento em centros especializados e a experiência profissional posterior desenvolvem competências diferentes e complementares.
A qualidade e a estrutura do treinamento podem variar entre instituições. Por isso, conhecer onde, como e com quem o médico foi formado ajuda a compreender sua preparação para lidar com situações de maior complexidade.
Graduação e residência médica: construção da base clínica e cirúrgica
A graduação desenvolve os fundamentos necessários para compreender doenças, avaliar pacientes e tomar decisões clínicas.
Na residência, o médico adquire conhecimentos especializados e desenvolve habilidades cirúrgicas de maneira progressiva, sob supervisão de profissionais mais experientes.
Esse processo depende não apenas do tempo de formação, mas também da diversidade de casos atendidos, da complexidade dos procedimentos e da qualidade da supervisão recebida.
Treinamento em uro-oncologia: aprender com equipes experientes
A formação aprofundada em câncer de próstata exige convivência contínua com pacientes que apresentam diferentes estágios da doença, incluindo situações complexas.
Em centros de referência com treinamento estruturado, o médico participa de avaliações clínicas, discussões multidisciplinares, planejamento terapêutico e procedimentos cirúrgicos supervisionados.
A cirurgia é uma habilidade que se desenvolve com prática orientada, observação direta, participação progressiva e aprendizado com cirurgiões experientes.
Livros, vídeos, congressos e cursos são importantes para atualização e aperfeiçoamento, mas não substituem a experiência prática adquirida durante um programa cirúrgico estruturado.
Participar da formação de outros cirurgiões, em residências ou programas de fellowship, também exige revisão constante de técnicas e decisões, mas é um componente complementar da trajetória, não garantia isolada de habilidade cirúrgica.
Doutorado e aprimoramento científico
A formação acadêmica complementar, como o doutorado, contribui para desenvolver capacidade de pesquisa, interpretação crítica das evidências e avaliação de novas estratégias de tratamento. Quando vinculada à uro-oncologia, pode representar um aprofundamento científico relevante.
Os títulos acadêmicos, porém, não substituem experiência clínica e habilidade cirúrgica. Seu valor deve ser interpretado em conjunto com todas as demais etapas da formação profissional.
A formação consistente é resultado da integração entre conhecimento, treinamento supervisionado, experiência prática e atualização contínua.
Por que a experiência do cirurgião influencia os resultados?
Embora a maioria dos pacientes tenha boa recuperação, a prostatectomia robótica não é uma cirurgia simples, “de furinhos”: é um procedimento de alta complexidade, com risco de sequelas urinárias e sexuais, que exige planejamento específico para cada paciente.
Durante o procedimento, o cirurgião precisa equilibrar dois objetivos fundamentais: retirar adequadamente o câncer e preservar as estruturas relacionadas à qualidade de vida, sempre que houver segurança oncológica.
Esse julgamento é particularmente importante em tumores extensos ou próximos de estruturas delicadas, nos quais pequenas diferenças de planejamento e execução podem modificar os resultados.
A capacidade de reconhecer dificuldades, antecipar riscos e lidar com variações anatômicas e situações inesperadas se desenvolve com treinamento supervisionado e com a experiência acumulada, especialmente nos casos complexos em uro-oncologia.
O que mostram os estudos científicos?
Pesquisas demonstram associação entre maior experiência cirúrgica e melhores resultados após a prostatectomia radical.
Uma revisão sistemática publicada na European Urology, reunindo 60 estudos, identificou que cirurgiões e hospitais com maior volume de prostatectomias apresentaram, em geral, menores taxas de margens cirúrgicas positivas, complicações e necessidade de tratamentos complementares.
Em um estudo populacional envolvendo 9.810 prostatectomias robóticas, cirurgiões com maior volume de procedimentos apresentaram maior frequência de margens negativas e menor sangramento.
Outras revisões também identificaram associação entre experiência cirúrgica e melhores resultados de recuperação da continência urinária e da função sexual.
Fazer mais cirurgias significa necessariamente ter melhores resultados?
Não. O volume de procedimentos é um indicador importante, mas não garante a qualidade individual do cirurgião.
Existe variação de resultados entre profissionais com volumes semelhantes. Além disso, idade, condições clínicas, função urinária e sexual prévias e características do câncer também influenciam o resultado.
Tumores localmente avançados, por exemplo, podem exigir ressecções mais amplas e apresentar maior risco de margens positivas, mesmo quando a cirurgia é tecnicamente adequada.
Portanto, os resultados dependem da combinação entre formação, experiência acumulada, habilidade individual do cirurgião e complexidade do caso clínico.
A tecnologia robótica pode ampliar a precisão dos movimentos, mas não substitui conhecimento anatômico, planejamento e julgamento cirúrgico. Para compreender o procedimento, consulte o conteúdo sobre prostatectomia robótica.
A experiência precisa incluir a decisão de quando não operar?
A experiência em câncer de próstata não se limita à realização de cirurgias. Uma das decisões mais importantes é reconhecer quando determinado tratamento realmente oferece benefício ao paciente.
Dependendo da agressividade e da extensão do tumor, podem ser consideradas estratégias como vigilância ativa, cirurgia, radioterapia ou tratamentos combinados.
Em tumores de baixo risco, por exemplo, a vigilância ativa pode evitar tratamentos desnecessários sem comprometer a segurança oncológica quando corretamente indicada e acompanhada.
Já nos casos de maior risco, é necessário compreender a extensão da doença e planejar uma estratégia que poderá envolver diferentes modalidades de tratamento.
Um especialista deve explicar não apenas por que recomenda uma opção, mas também quais alternativas existem, seus benefícios, limitações e possíveis consequências.
Para conhecer as principais estratégias terapêuticas, acesse a página sobre câncer de próstata.
Qual é a importância do acompanhamento após o tratamento?
O cuidado especializado não termina com a realização da cirurgia.
Após a prostatectomia, é necessário acompanhar o PSA para avaliar o controle do câncer e identificar precocemente possíveis sinais de persistência ou recorrência.
A recuperação funcional também exige atenção. A fisioterapia do assoalho pélvico e a reabilitação sexual precoce podem integrar um programa individualizado de acompanhamento, conforme as necessidades de cada paciente.
Uma equipe experiente, com acesso a diferentes especialidades, também é importante para o manejo de complicações e a definição de tratamentos complementares quando necessários.
Antes de escolher o médico, vale compreender como será organizado o seguimento, quem estará disponível para orientar intercorrências e como os resultados serão avaliados ao longo do tempo.
Quais perguntas fazer ao urologista durante a consulta?
Além de conhecer toda a trajetória e os títulos apresentados pelo profissional, algumas perguntas ajudam a compreender sua formação e experiência:
- Onde fez sua formação de base: graduação, residência em Cirurgia e residência em Urologia?
- Qual foi seu treinamento específico em uro-oncologia e durante o treinamento, teve participação prática e supervisionada em cirurgias complexas?
- Qual a experiencia do cirurgião no tratamento de pacientes com câncer de próstata semelhante ao meu caso?
- Quais são os detalhes da cirurgia que o profissional leva em consideração e como acompanha seus resultados?
- Por que recomenda determinado tratamento e quais alternativas poderiam ser consideradas?
- Quais são meus riscos de recorrência do tumor, incontinência urinária e disfunção erétil?
- Como serão organizados o acompanhamento e a reabilitação funcional após o tratamento?
Observe se as explicações são claras, se há espaço para suas dúvidas e se as alternativas são apresentadas sem pressa.
Considerações finais
Escolher um urologista para tratar o câncer de próstata exige avaliar mais do que o título de especialista ou o domínio de determinada tecnologia.
A experiência cirúrgica pode influenciar os resultados, mas deve ser considerada junto à habilidade individual, às características do tumor e às condições de cada paciente.
O objetivo é escolher um profissional preparado para indicar corretamente o tratamento, executar os procedimentos necessários e acompanhar o paciente durante toda a evolução da doença.
Para conhecer a trajetória acadêmica e profissional do autor deste conteúdo, acesse a página de
formação e atuação do Dr. Eder Nisi Ilario.
Referências científicas
Normas do Conselho Federal de Medicina
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.336/2023. Normas para publicidade e divulgação de qualificações médicas. Consultar resolução (link https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/2023/2336)
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.380/2024. Homologa a Portaria CME nº 1/2024, que atualiza a relação de especialidades e áreas de atuação médicas. Consultar resolução (https://sistemas.cfm.org.br/normas/arquivos/resolucoes/BR/2024/2380_2024.pdf)
Principais estudos
- Van den Broeck T, et al. A Systematic Review of the Impact of Surgeon and Hospital Caseload Volume on Oncological and Nononcological Outcomes After Radical Prostatectomy for Nonmetastatic Prostate Cancer. European Urology. 2021;80(5):531–545. DOI: 10.1016/j.eururo.2021.04.028.
- Godtman RA, et al. Association of surgeon and hospital volume with short-term outcomes after robot-assisted radical prostatectomy: Nationwide, population-based study. PLOS ONE. 2021;16(6):e0253081. DOI: 10.1371/journal.pone.0253081.
- Trieu D, et al. Surgeon case volume and continence recovery following radical prostatectomy: a systematic review. ANZ Journal of Surgery. 2021;91(4):521–529. DOI: 10.1111/ans.16491.
- Ju IE, et al.
Surgeon Experience and Erectile Function After Radical Prostatectomy: A Systematic Review. Sexual Medicine Reviews. 2021;9(4):650–658. DOI: 10.1016/j.sxmr.2020.09.006.
Perguntas frequentes
Câncer de próstata: devo procurar um urologista ou um oncologista?
Em geral, o urologista é o primeiro especialista a ser procurado: ele investiga o PSA alterado, indica a biópsia, conduz o estadiamento e, quando indicado, realiza a cirurgia. O radio-oncologista e o oncologista clínico participam conforme o tratamento escolhido e a extensão da doença.
Vale a pena buscar uma segunda opinião antes de decidir o tratamento?
Sim, especialmente quando há dúvida sobre a indicação, quando mais de uma estratégia é possível ou antes de uma cirurgia complexa. A segunda opinião pode confirmar a recomendação inicial ou apresentar alternativas. Leve todos os exames: biópsia, PSA, ressonância e exames de estadiamento.
Um curso de cirurgia robótica é suficiente para realizar prostatectomias complexas?
Um curso pode contribuir para a aprendizagem de uma técnica, mas não substitui formação cirúrgica estruturada e experiência prática supervisionada. A realização de prostatectomias complexas exige conhecimento anatômico, domínio técnico, julgamento clínico e experiência com diferentes situações cirúrgicas. Essas competências são desenvolvidas progressivamente, com acompanhamento de profissionais experientes e prática continuada.
Um cirurgião que realiza mais prostatectomias apresenta melhores resultados?
Estudos mostram que maior volume cirúrgico está associado, em geral, a melhores resultados em determinados indicadores oncológicos e funcionais. Entretanto, o volume isolado não garante qualidade. A habilidade individual, a formação do cirurgião, a extensão do câncer e as condições clínicas do paciente também influenciam a evolução após a prostatectomia.
Texto elaborado pelo Dr. Eder Nisi Ilario, CRM-SP 150.653, RQE 66.503, urologista especializado em uro-oncologia e cirurgia robótica, formado e doutor em Urologia pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Revisto em outubro de 2026.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Não substitui a avaliação médica individual.






