Como reduzir o risco de incontinência após a prostatectomia

Dr Eder Nisi Ilario

Introdução

A incontinência urinária é uma das maiores preocupações dos homens que precisam realizar a cirurgia para o câncer de próstata.

Essa preocupação é legítima. A prostatectomia radical é um tratamento eficaz e amplamente utilizado na uro-oncologia moderna , mas pode provocar incontinência urinária pós-prostatectomia , especialmente nas primeiras semanas após o procedimento.

A boa notícia é que, na maioria dos casos, a continência urinária se recupera progressivamente ao longo dos meses , principalmente quando o tratamento é bem planejado e conduzido por equipe experiente.

Hoje sabemos que o risco de perda urinária não depende de um único fator , mas da combinação entre características do paciente, anatomia individual, planejamento cirúrgico, experiência do cirurgião, técnica utilizada — com destaque para a prostatectomia radical robótica — e reabilitação precoce do assoalho pélvico .


Resumo rápido: o que você precisa saber

  • A incontinência urinária após a prostatectomia radical é comum no início, mas a maioria dos pacientes recupera o controle urinário ao longo dos meses, especialmente até 12 meses após a cirurgia.
  • A recuperação da continência depende de fatores não modificáveis, como idade, anatomia e características do câncer de próstata, e de fatores modificáveis, como planejamento cirúrgico e reabilitação adequada.
  • Cirurgiões dedicados à uro-oncologia , com treinamento em centros de referência e experiência consistente, tendem a alcançar melhores resultados funcionais.
  • A cirurgia robótica , quando bem indicada e executada por cirurgião experiente, facilita a preservação das estruturas responsáveis pela continência urinária.
  • Planejamento individualizado e reabilitação precoce do assoalho pélvico aumentam significativamente a chance de excelente recuperação funcional.


O que é a incontinência urinária pós-prostatectomia e por que ela acontece?

A próstata está localizada logo abaixo da bexiga e envolve a uretra. Durante a prostatectomia radical , a próstata é retirada junto com tecidos muito próximos ao sistema responsável pelo controle da urina.

A continência urinária depende principalmente de:

  • um esfíncter urinário funcional,
  • do comprimento e integridade da uretra ,
  • das estruturas de suporte ao redor da uretra,
  • e da coordenação dos músculos do assoalho pélvico .

Mesmo quando a cirurgia é tecnicamente bem executada, esse sistema precisa de um período de adaptação. Por isso, escapes urinários nas primeiras semanas após a retirada do cateter são comuns e fazem parte do processo de recuperação.


A recuperação da continência urinária é gradual

Na prática clínica, observamos que:

  • logo após a retirada do cateter, muitos pacientes apresentam perda urinária;
  • nos primeiros meses ocorre a maior parte da recuperação da continência;
  • muitos homens continuam melhorando até cerca de 12 meses após a prostatectomia radical .

O tempo de recuperação varia de acordo com fatores individuais e com a forma como o tratamento é conduzido.


Fatores que influenciam a recuperação da continência urinária

Para facilitar o entendimento, dividimos esses fatores em dois grupos:

  • Fatores não modificáveis : não podem ser alterados, mas ajudam a definir risco e planejamento.
  • Fatores modificáveis : podem ser controlados, otimizados ou escolhidos — e são decisivos para reduzir o risco de incontinência.


Fatores NÃO modificáveis:

Idade

A idade está associada à força muscular, elasticidade dos tecidos e capacidade de adaptação neuromuscular.

Pacientes mais idosos podem apresentar recuperação mais lenta da continência urinária, mas isso não impede bons resultados na maioria dos casos .

Anatomia individual

Cada paciente tem uma anatomia própria. Um fator especialmente importante é o comprimento da uretra , que influencia diretamente a recuperação da continência urinária após a prostatectomia.

Esse fator não pode ser modificado, mas pode ser melhor preservado com técnica cirúrgica adequada.

Volume da próstata

Próstatas maiores podem tornar a cirurgia mais complexa e dificultar a preservação das estruturas relacionadas ao controle urinário.

Estágio e agressividade do câncer de próstata

Em alguns casos, para garantir segurança oncológica, é necessária uma cirurgia mais ampla.

Nessas situações, a preservação funcional pode ser limitada.

O princípio é sempre claro: o controle do câncer de próstata vem em primeiro lugar .

Cirurgias prostáticas prévias

Procedimentos prévios na próstata, como a ressecção transuretral (TURP), podem alterar a anatomia e influenciar a recuperação urinária no pós-operatório.


Fatores MODIFICÁVEIS — onde realmente é possível reduzir o risco

Aqui estão os fatores que mais impactam o resultado funcional e que podem ser otimizados.

1. Planejamento cirúrgico individualizado

Um bom resultado começa antes da cirurgia.

O planejamento envolve:

  • avaliação do controle urinário antes da prostatectomia,
  • análise de exames de imagem e biópsia,
  • compreensão da anatomia individual,
  • definição da melhor estratégia cirúrgica para cada paciente.

Esse planejamento é fundamental para equilibrar controle oncológico e preservação da continência urinária .

2. Cirurgião dedicado à uro-oncologia e treinamento em centro de referência

Este é um dos fatores mais importantes para reduzir o risco de incontinência urinária pós-prostatectomia.

Cirurgiões que:

  • atuam de forma dedicada à uro-oncologia ,
  • possuem treinamento estruturado em centros de referência ,
  • realizam prostatectomia radical com frequência,

tendem a alcançar melhores resultados porque dominam a anatomia pélvica, reconhecem variações anatômicas e tomam decisões mais precisas durante a cirurgia.

3. Cirurgia robótica: quando ela ajuda?

A prostatectomia radical robótica é uma ferramenta que, quando bem indicada e bem executada, favorece a preservação das estruturas responsáveis pela continência urinária.

Ela permite:

  • visão tridimensional ampliada,
  • maior precisão dos movimentos,
  • melhor controle em regiões delicadas, como o ápice da próstata e a uretra.

Isso facilita a preservação do comprimento uretral e das estruturas de suporte, contribuindo para uma recuperação mais rápida da continência.

4. Preservação dos nervos e das estruturas de suporte

Sempre que oncologicamente seguro, a preservação dos nervos e das estruturas ao redor da uretra pode:

  • acelerar a recuperação da continência urinária,
  • reduzir a intensidade dos escapes no pós-operatório.

Essa decisão é individual e depende do perfil do tumor.

5. Reabilitação precoce do assoalho pélvico

A reabilitação do assoalho pélvico é parte essencial do tratamento funcional.

Ela ajuda a:

  • fortalecer os músculos corretos,
  • melhorar coordenação e controle urinário,
  • acelerar a recuperação após a prostatectomia radical.

Idealmente, deve ser iniciada precocemente e conduzida por profissional capacitado.

6. Controle de saúde geral

Medidas que contribuem para melhor recuperação incluem:

  • controle adequado do diabetes,
  • manutenção ou redução de peso quando possível,
  • abandono do tabagismo,
  • atividade física orientada.

Esses fatores não substituem a técnica cirúrgica, mas potencializam os resultados .


Respostas diretas: dúvidas frequentes

É normal perder urina após a prostatectomia radical?

Sim. A incontinência urinária pós-prostatectomia é comum no início e tende a melhorar com o tempo.

Em quanto tempo a continência costuma voltar?

A maioria dos pacientes apresenta melhora progressiva nos primeiros meses, podendo continuar evoluindo até cerca de 12 meses.

A cirurgia robótica reduz o risco de incontinência?

Ela pode ajudar, principalmente quando associada a planejamento adequado e cirurgião experiente.

Se a continência não voltar, existem tratamentos?

Sim. Existem opções eficazes para tratar a incontinência persistente.

Conclusão

A incontinência urinária após a prostatectomia radical é uma preocupação legítima, mas na maioria dos casos a recuperação do controle urinário é muito boa .

Os melhores resultados são alcançados quando há:

  • compreensão dos fatores não modificáveis,
  • controle dos fatores modificáveis,
  • planejamento cirúrgico individualizado ,
  • cirurgião dedicado à uro-oncologia, com treinamento em centro de referência ,
  • uso adequado da cirurgia robótica ,
  • e reabilitação precoce do assoalho pélvico .

Se você está passando pela necessidade de tratamento do câncer de próstata, fico à disposição para uma avaliação detalhada do seu caso , com seguimento rigoroso e planejamento cuidadoso , para que possamos buscar juntos os melhores resultados oncológicos e funcionais possíveis , de forma segura, ética e personalizada.

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